Sou um homem de fé. Fé na vida, nas pessoas, na juventude, nas instituições. Mas não nas datas comemorativas. Que bobagem esse dia das mães! Apesar de escolhermos somente um domingo pra dedicar a elas, só as mães são capazes de atos de amor incondicionais. Pais castigam e brigam, são mais sérios e concentrados nas obrigações. Já as mães lidam com tudo isso também, mas com aquela suavidade e doçura de quem entende que ninguém é de ferro. Deus é mãe, amigos. Pra nos amar sem olhar pros nossos defeitos, tem que ser mãe.
Eu sei que a essa altura vocês estão pensando que as mães de vocês são uns anjos, são fadas, musas... E todos estão absolutamente certos. Cabe às mulheres a mais divina das missões, que é gerar a vida. E após gerá-la cuidam, preocupam-se, ensinam, encaminham... Mas se engana quem pensa que toda mãe é mulher. Na verdade, não precisa parir pra ser mãe. Não são raros os exemplos de homens que assumem a criação dos filhos e desempenham esse papel com vivacidade. Há ainda aqueles que por instinto e amor absoluto adotam crianças que seriam praticamente desconhecidas e dedicam a elas uma vida inteira de proteção e afeto. Ser mãe é ter amor. O que dizer de freiras, líderes comunitários e religiosos, professores e outros tantos que nos preparam pra vida com dedicação impar, sem exigir nada em troca?
Não gosto muito do dia das mães. Acho chato e comercial. Parece que nos outros 364 dias restantes elas não significam nada pra gente. E elas estão sempre aí, silenciosas, de plantão. A minha, por exemplo, é rainha absoluta todos os dias. Cuida da casa, dos afazeres da igreja, de uma ou outra loucura que ela inventa e ainda dá aquela força toda especial aos nossos amigos. Tem pencas de filhos postiços e afilhados enfileirados no fim do dia pra compartilhar problemas e esperanças, e não há distinção entre os biológicos e os do coração. Eu e meu irmão às vezes cansamos de esperar ela nos chamar pra uma conversa. Quem manda se atrasar pra pegar a senha?... Esse dom maravilhoso e único é herança da minha avó, que merecia uma página dessas cheia com as suas histórias.
Ser mãe é não se cansar, é perdoar. É sacrificar de si em prol dos outros, mesmo quando não os conhece, por compaixão. E essas criaturas que abandonam filhos recém nascidos ou abusam física e sexualmente esses inocentes não merecem ser considerados sequer como animais. Não vale a pena citá-los aqui.
Penso que assim como o 08 de março, o dia das mães é quase desnecessário. Nosso grande problema é não termos capacidade de expressar o que sentimos por essas mulheres tão importantes na nossa vida adequadamente. Hoje e ainda várias vezes durante o ano, valorize as mulheres à sua volta, sendo mães ou não. Ame-as. São seres sublimes e imprescindíveis.
Às mães, irmãs, tias, professoras, anjos, colegas, amigas, fadas, enfermeiras, freiras, avós, pastoras, empregadas domésticas, recepcionistas, Rainhas (seja a da Inglaterra ou aqui do Barreto mesmo) e aos raros homens de bom coração, desejo um 08 de maio muito feliz, e dias lotados de amor e do tão merecido – e necessário – reconhecimento.
E pra quem acredita nessas datas que se comemoram somente num dia, FELIZ DIA DAS MÃES!
(Originalmente publicado no Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 426, de 07/05/2011)


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