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sábado, 7 de maio de 2011

AMANHÃ, NÃO!


Sou um homem de fé. Fé na vida, nas pessoas, na juventude, nas instituições. Mas não nas datas comemorativas. Que bobagem esse dia das mães! Apesar de escolhermos somente um domingo pra dedicar a elas, só as mães são capazes de atos de amor incondicionais. Pais castigam e brigam, são mais sérios e concentrados nas obrigações. Já as mães lidam com tudo isso também, mas com aquela suavidade e doçura de quem entende que ninguém é de ferro. Deus é mãe, amigos. Pra nos amar sem olhar pros nossos defeitos, tem que ser mãe.
Eu sei que a essa altura vocês estão pensando que as mães de vocês são uns anjos, são fadas,  musas... E todos estão absolutamente certos. Cabe às mulheres a mais divina das missões, que é gerar a vida. E após gerá-la cuidam, preocupam-se, ensinam, encaminham... Mas se engana quem pensa que toda mãe é mulher. Na verdade, não precisa parir pra ser mãe. Não são raros os exemplos de homens que assumem a criação dos filhos e desempenham esse papel com vivacidade. Há ainda aqueles que por instinto e amor absoluto adotam crianças que seriam praticamente desconhecidas e dedicam a elas uma vida inteira de proteção e afeto. Ser mãe é ter amor. O que dizer de freiras, líderes comunitários e religiosos, professores e outros tantos que nos preparam pra vida com dedicação impar, sem exigir nada em troca?
Não gosto muito do dia das mães. Acho chato e comercial. Parece que nos outros 364 dias restantes elas não significam nada pra gente. E elas estão sempre aí, silenciosas, de plantão. A minha, por exemplo, é rainha absoluta todos os dias. Cuida da casa, dos afazeres da igreja, de uma ou outra loucura que ela inventa e ainda dá aquela força toda especial aos nossos amigos. Tem pencas de filhos postiços e afilhados enfileirados no fim do dia pra compartilhar problemas e esperanças, e não há distinção entre os biológicos e os do coração. Eu e meu irmão às vezes cansamos de esperar ela nos chamar pra uma conversa. Quem manda se atrasar pra pegar a senha?... Esse dom maravilhoso e único é herança da minha avó, que merecia uma página dessas cheia com as suas histórias.
Ser mãe é não se cansar, é perdoar. É sacrificar de si em prol dos outros, mesmo quando não os conhece, por compaixão. E essas criaturas que abandonam filhos recém nascidos ou abusam física e sexualmente esses inocentes não merecem ser considerados sequer como animais. Não vale a pena citá-los aqui.
Penso que assim como o 08 de março, o dia das mães é quase desnecessário. Nosso grande problema é não termos capacidade de expressar o que sentimos por essas mulheres tão importantes na nossa vida adequadamente. Hoje e ainda várias vezes durante o ano, valorize as mulheres à sua volta, sendo mães ou não. Ame-as. São seres sublimes e imprescindíveis.
Às mães, irmãs, tias, professoras, anjos, colegas, amigas, fadas, enfermeiras, freiras, avós, pastoras, empregadas domésticas, recepcionistas, Rainhas (seja a da Inglaterra ou aqui do Barreto mesmo) e aos raros homens de bom coração, desejo um 08 de maio muito feliz, e dias lotados de amor e do tão merecido – e necessário – reconhecimento.
E pra quem acredita nessas datas que se comemoram somente num dia, FELIZ DIA DAS MÃES!


(Originalmente publicado no Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 426, de 07/05/2011)

Tomar o quê?!


Imagine a cena: sexta-feira às 6 da tarde, sol a pino, 31 graus e é hora do último ônibus. Pra variar você está atrasado, suado e com um mau-humor do cão. O dedão começa a doer, inchado por passar o dia preso naquele tênis um número menor que o seu pé. E ainda falta uma quadra pra chegar ao bendito terminal! Do nada, surge alguém puxando conversa e você quer mandá-lo pra longe, mas despista com o tradicional “te ligo no fim de semana”, segue correndo e percebe que se esqueceu de passar no banco e que deveria dar um pulinho no supermercado também. Quase na esquina, já dá pra ouvir o barulho do motor dando partida. É só apertar o passo, e nem pensar em olhar pro lado, porque um segundo de distração pode ser fatal. Aliás, lá se vai o busão. E nem adianta gritar, assoviar ou fazer qualquer gesto. O motorista está mais irritado que você, e fez questão de não te ver. Nessa hora, volta aquela pessoa que queria conversa contigo lá atrás, rindo e fazendo graça: “Ué, perdeu o ônibus??” Você sorri e desabafa. Pensa (e fala) um palavrão daqueles que lavam a alma da gente no momento em que sai da nossa boca. Manda o infeliz se danar e elogia o passado obscuro da mãe dele. Então percebe uma senhorinha evangélica com ar de reprovação te olhando feio sentada nos bancos, quase do seu lado, resmungando. Oremos...
Em certas situações, nada melhor para expressar nossas idéias e sentimentos do que um bom palavrão. Sempre admirei a irreverência de Dercy Gonçalves. Há um certo charme em usar palavras de baixo calão com ousadia. Mas é preciso ter limites. É cada vez mais comum termos que agüentar um festival de má educação nos programas de TV com os reality shows. E o resultado disso é que estamos desaprendendo a falar. Você lembra a última vez em que conversou em uma roda de amigos sem tentar ser engraçadinho e apelar pra baixaria? Eu também não. Não vou bancar o puritano aqui, e contrariar algo cada vez mais integrado à nossa vida social. Sou adepto e obviamente usuário da efervescente linguagem popular, mas já viram como fica esquisito ouvir palavrões da boca de uma criança? Tirem um tempo em uma praça ou na saída da escola e observem. São todos filhos de alguma coisa e mandam uns aos outros pra um lugar que não se encontra em nenhum mapa. Vá não sei pra onde! Tome lá! E se vira moda de vez? Encontraríamos apelidos para os órgãos genitais nos receituários médicos, ouviríamos sinônimos da profissão mais antiga do mundo e um ou outro xingamento escapulindo pelos cantos da boca dos apresentadores de telejornais. Que beleza!
Não sou retrógrado. Em pleno século 21 estamos condenados a deixar a caretice de lado. Não podemos mais nos dar ao luxo de sermos hipócritas, e por isso mesmo é necessário que saibamos ter e transmitir boas maneiras a quem nos cerca. Educação e gentileza são imprescindíveis e andam cada vez mais raras. Isso é preocupante. Sei que é difícil resistir ao impulso, mas se não moderarmos nossa linguagem, estamos f... Esqueçam, eu desisto. 

(Originalmente publicado na Edição 409, de 08/01/2011. Reeditado a pedido do autor)


(Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 425, de 30/04/2011)