Mais uma vez o ano passou voando e não fomos capazes de perceber o quanto as coisas mudaram a nossa volta, que nossos primeiros e ameaçadores fios de cabelo brancos estão chegando ou o quanto as crianças que amamos cresceram e perderam um pouco da sua inocência. Estamos sempre em meio a um furacão de obrigações que se repetem, de problemas insolúveis e prazeres rápidos. Haja calma e coragem pra desafiar qualquer uma dessas circunstâncias absurdas e ousar ser feliz de verdade. Viramos máquinas, sem nos darmos conta de que nossa natureza é emocional, que nós nascemos para sentir.
Nessa roda viva nos falta tempo para sermos nós mesmos. Precisamos urgentemente de distração. Quem quiser sobreviver a dezembro deve respirar imediatamente. Fim de ano chegando, e vocês cheios de decisões a serem tomadas, as notas finais das crianças na escola, descobrimos o segredo do Gerson na novela das oito... Parece que tudo está acontecendo ao mesmo tempo. Nesses dias meio loucos em que vivemos não conseguimos pensar direito, nossos sentimentos são constantemente suprimidos em troca de algo que não compensa – geralmente dinheiro, e que só Deus sabe como usamos.
Pra não enlouquecer nessa corrida em que não se chega alugar algum, sugiro um descanso rápido, capaz de nos fazer pensar melhor na vida, e quem sabe até mudar a direção de algumas decisões. Ao escrever, essa parada modificadora que transforma o texto ou deixa o leitor respirar em meio a tantas informações é a vírgula. Está lá no dicionário: “Vírgula: Substantivo feminino. Sinal de pontuação (,) com que se marca a pausa.” Eis o segredo: usem vírgulas, amigos.
Precisamos de pausas durante o nosso dia. Faça um teste: Tá difícil e corrido? VÍRGULA: vá pra rua tomar um ar ou cumprimentar alguém que você não via a muito tempo. E as compras de fim de ano? Qual o jeitinho pra satisfazer todo mundo só com o décimo terceiro? VÍRGULA: lembre-se que o melhor das festas é confraternizar, e o presente fica pra depois. Tá com vontade de largar tudo e sair gritando? VÍRGULA: jogue conversa fora com quem aparecer na sua frente.
Não é uma boa idéia? Dê um tempo. Se o dia está meio atarefado, se bateu aquela angústia repentina, PARE! Tire meia hora do seu dia pra olhar o nada pela janela, e se puder ser ao ar livre, melhor. Fuja do estresse rindo a toa, sem medo de ser chamado de maluco. Coma algo que você gosta sem culpa ou preocupação com a balança. Precisamos nos libertar do relógio, e é mais fácil do que parece. A partir de hoje, leitores, esta coluna institui o vale-vírgula.
As festas de fim de ano nos deixam na obrigação de sermos felizes e bondosos. Sem nos darmos conta, estamos sendo oprimidos pelo tal Espírito Natalino. Use suas vírgulas à vontade pra não sucumbir ao cansaço e a melancolia dessa época turbulenta. Vale até falar “vírgula” em voz alta pra assustar o chefe. Descontraia, pelo amor de Deus. E tenha um dezembro FELIZ de fato.
Até a próxima!
(Originalmente publicado no Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 404, de 04/12/2010)


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