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terça-feira, 19 de abril de 2011

SEMPRE PINTA

Sabiam que a coluna que escrevi para a edição retrasada me deixou encucado? Reler aquele desabafo meio amargurado me intrigou. Quanto desespero! Sei que não estou sozinho nessa neurose. Tá todo mundo meio louco, sem saber viver direito. Chega a ser gozado perceber quantas são as vítimas da depressão, o novo mal do século. Cada vez mais pessoas, e cada vez mais jovens, se entregam à melancolia e aderem à moda dos transtornos psiquiátricos. É chique ser deprê. Sério? Não sei quanto a vocês, mas eu quero ser feliz. Ando de saco cheio de gente que só faz reclamar da vida, das contas, do cansaço, da falta de fé.
Já passou da hora de aprendermos a lidar com as frustrações do dia a dia, tenham elas o tamanho que tiverem. De tanto projetar nossos defeitos e anseios nos outros, criamos um mundo imperfeito, em que não se pode confiar em ninguém. Nada nos satisfaz. Rigorosamente nada. Precisamos sempre ter mais, comprar mais, ser mais, mais e mais. Pra escapar disso basta sermos nós mesmos. Não há mal algum em ser ingênuo, sutil, esperançoso. Afinal de contas, deve haver alguma vantagem nisso, e cá pra nós, sempre pinta alguém que te valoriza. Sempre há uma saída.
Pinta sempre um jeito de fugir, de escapar da realidade massacrante do cotidiano, basta descobrir qual é o seu. Beatles, Fernando Pessoa ou Ronaldinho Gaúcho podem te salvar do tédio. Música, leitura, dança, esporte e artesanato podem nos ajudar a aliviar o estresse. Ou não. Ronaldinho Gaúcho?? Nem se voltasse no tempo, lá pra 1997...
Não somos todos iguais. Isso é ilusão. Mas não dá mais pra viver a expectativa dos outros, senão viramos um personagem. Deixamos de ser humanos pra parecer um desses patetas saídos de uma novela mexicana qualquer, que quanto mais são tenta parecer, mais enlouquece quando está só. Observe a vida como ela é de fato. Divirta-se sozinho, ria dos seus fantasmas. Curta a sua solidão. A maior viagem que podemos fazer é pra dentro de nós. Avalie o seu temperamento. Como alguém poderia te respeitar se você não se valoriza? Como você pode dizer que ama alguém se não aprecia a si mesmo?
Ao ler essa coluna em sua décima quinta edição, vocês devem imaginar que este autor tem solução pra tudo. Mentira. Essa é uma carta pra mim mesmo, pra ver se acordo e deixo de pensar pequeno. E um conselho meu pra vocês: ENFIEM O PÉ NA JACA! Caiam na gandaia, vivam intensamente. Chutem o balde, mas com responsabilidade, pelo amor de Deus.
Aprendemos a cada dia. Sempre pinta alguém pra nos ensinar algo novo, ou pra nos lembrar das coisas óbvias das quais fingimos ter esquecido. Dedico este texto meio sem nexo àqueles que de alguma forma e involuntariamente me fazem pensar na vida, inclusive vocês, leitores. E se esta leitura os fez lembrar uma música do Nei Lisboa, parabéns. Igual a tudo na vida, inspiração também pinta quando a gente menos espera.
Até a próxima, e, por favor, parem de falar mal da rotina.
(Originalmente publicado no Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 415, de 19/02/2011)

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