Tenho certeza de que vocês já leram ou ouviram isso antes, mas tudo é transitório. A vida é cíclica. Sem nos darmos conta, estamos sempre repetindo padrões. Em um mundo redondo, o lógico é que, assim como a terra, a História também tenda a repetir-se em seus ciclos. Vivemos hoje em uma reprise da Idade Média. Somos governados pela tríade formada por sexo, dinheiro e poder, e nossa arte está permeada por esse desânimo. Filmes, livros e telenovelas não precisam de lógica alguma. Nada deve fazer sentido, basta apresentar nudez e violência. O sexo vende. Compramos cigarros, bebidas, automóveis, revistas e seguros de vida impulsionados pelo nosso instinto sexual. E se isso não bastasse para nos aprisionar na era medieval, aquilo que não conseguimos pelo sexo, se conquista na porrada. Observe as saídas das escolas, os vídeos mais populares do YouTube e os gritos das torcidas nos estádios de futebol. Somos constantemente oprimidos pela força bruta. Elegemos reis e rainhas – do futebol, do Rock, da Televisão – na esperança de esquecermos de vez que a tal democracia e o seu poder dado originalmente às massas não anda muito bem ultimamente. Os feudos trocaram de nome – hoje são holdings, organizações multinacionais – mas continuam a tiranizar os cidadãos comuns para manter suas relações de poder e exploração. Já pensou o que seria desse jornal ou da sua conta bancária sem computadores? Qual foi a última vez em que você ficou mais de 24 horas sem usar o seu telefone celular? Você achou realmente justo o resultado do carnaval do Rio de Janeiro esse ano? Os senhores feudais da atualidade se escondem em suas torres de aço e vidro nas principais capitais do mundo, e nós nos julgamos livres, sem sequer sonhar que trabalhamos, comemos e dormimos a serviço deles, para enriquecê-los ainda mais.
Acredito piamente que estamos próximos do fim dessa era de barbárie em que vivemos. Sem fazer aquelas profecias típicas dos arautos do fim dos tempos, creio que a humanidade está em um período de transição. Analisando o curso natural da História, os tempos difíceis do Medievo foram sucedidos pelo Renascimento. Nas artes e nas ciências, grandes homens e mulheres (re)descobriram o valor de cada ser humano, e é exatamente isso o que nos falta hoje em dia. A arte é, sem a menor sombra de dúvida, o que vai nos salvar desse caos. Como ocorreu na Renascença original, descobriremos novas formas de compreender a vida, o homem e a natureza. Acompanharemos o nascimento de novos heróis, de uma ciência que se imponha contra as quinquilharias tecnológicas que nos escravizam e chegue à cura de doenças que têm nos afligido há tanto tempo. Tenhamos fé, leitores! Pela arte, pela LITERATURA,renasceremos.
Mas até lá, no entanto, é preciso achar o que fazer. Este colunista está aberto a sugestões para orientar um grande amigo que está deprimido desde a última terça-feira, por não ter mais vida após o fim do BBB. Agora que o Bial está de férias, vai ler um livro, rapaz!! Garanto que isso ajuda.
Vamos aos livros, e tenham uma ótima semana!
(Originalmente publicado no Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 421, de 02/04/2011)


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