Beleza, o carnaval chegou e é hora de relaxar. Antes de soltar a franga no Bloco dos Cabeludos, convido vocês a uma rápida reflexão. Usando a psicologia do indefectível Cap. Nascimento, podemos fazer um retrato realista de outro herói brasileiro por excelência: o Rei Momo. Se você conseguiu prestar atenção no título desta coluna (tenha fé, a ressaca do porre de ontem não eliminou TODOS os seus neurônios) o veredito já está pronunciado. É um Rei palhaço.
Vindo da mitologia grega, ele é filho do sono e da noite, e acabou expulso do Olimpo - morada dos deuses - porque tinha como diversão ridicularizar as outras divindades e alguns mortais também. Quer alguém mais perfeito pra representar o povo mais alegre e irreverente do mundo? Momo é o Brasil no Monte Olimpo.
Pra galhofa ser completa, o cara resolveu esculhambar com a própria festa. Já repararam como o carnaval anda meio do avesso de uns tempos pra cá? Eu prometi parar de reclamar, mas me deu uma saudade daqueles carnavais em que os foliões pré-históricos de Triunfo se acabavam tomando banho de espuma nas quadras do Parcão... Na TV, a Sapucaí “bombava”. Mulher pelada era artigo raro. Só valia a “nudez artística”. Esperávamos ansiosos pelas polêmicas Luma de Oliveira e Monique Evans nuas, povoando o imaginário masculino. Na semana seguinte, corrida às bancas de jornal pra comprar a falecida revista Manchete... Uau!
Mas isso foi no Antigo Testamento, há uns cinco mil anos atrás, quando a Malhação ainda não havia estreado e internet era apenas uma ferramenta de trabalho dos CDF’s da Apple. Naquele tempo as mulatas eram mulatas de fato, com DNA comprovado na concentração. Os sambas de enredo das Escolas faziam críticas sociais – inclusive à Rede Globo – sem medo do rebaixamento. Um tempo bom, em que não éramos obrigados a descer até o chão ao som da Gaiola das Popozudas fingindo que gostamos pra não parecer tão velhos assim. Ouvíamos marchinhas!
Hoje o samba sumiu, nossas mulatas embranqueceram (não é necessariamente uma declaração preconceituosa, mas quantas negras venceram o Garota Verão?), e a festa da carne se tornou a apoteose do álcool.
No Rio, cada agremiação chega a investir cerca de R$ 30 milhões para 90 minutos de desfile. Fazendo um cálculo mais preciso, cada minuto custa em torno de R$ 300 mil. TREZENTOS MIL REAIS! Isso equivale a R$ 25 mil por mês, o que seria suficiente para sustentar ou tirar da situação de miséria 44 famílias da ala das baianas, por exemplo. Muito dinheiro e pouco resultado. Isso é o Brasil!
Momo é um besta, mesmo. Espero que ele crie juízo logo, e comece a incomodar os outros deuses do Olimpo pedindo que estes olhem pelo nosso país. A partir da quarta-feira começa a vida real. Precisamos de uma forcinha, pois a coisa tá meio russa.
Mas isso não é assunto pra agora, queridos. Vamos à farra, pois é carnaval!! Tenham responsabilidade, se beber não dirijam e camisinha SEMPRE. E se nas festas vocês não cruzarem com a Colombina, não se preocupem. Eu a seqüestrei. Afinal, eu também sou filho de Deus, poxa!
(Originalmente publicado no Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 417, de 05/03/2011)


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