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sexta-feira, 22 de abril de 2011

EU TENHO HORROR A POBRE!



O amigo leitor vai me desculpar pelo excesso de franqueza, mas pobre é dose. Pouca coisa consegue ser mais repulsiva e desanimadora do que começar o dia enfrentando a pobreza, que insiste em se esfregar na nossa cara.
O grande problema é que esses pobres não reconhecem o seu lugar. Insistem em circular entre nós como se fossem gente, e se infiltram na nossa sociedade ocupando alguns cargos essenciais e importantes.
Basta você interromper sua leitura, erguer a cabeça agora e dar uma olhada a sua volta pra constatar o óbvio: estamos cercados de pobres, e pouco se pode fazer a respeito. Eles tomaram conta de tudo: do futebol às artes, da política à praça aqui do Centro.
Observe. Pobres são os bestas que vivem bajulando aqueles que eles julgam ser mais importantes, são aqueles que preferem ter algo a ser alguém, são aqueles que desprezam os outros por pensarem diferente ou ter menos dinheiro. Pensaram que eu estou falando na condição social? Não amigos, os verdadeiros pobres são os POBRES DE ESPÍRITO.
Agora que eu me fiz entender, vocês vão ter que concordar comigo. São criaturas nojentas. Aposto que você já se deparou com um deles espezinhando alguém por ter um carro mais barato, por não usar roupas de grife, por não ser amigo do filho do Fulano, por morar no 2º, 3º ou 4º distrito, ou ainda pela cor da pele. Eles estão aí, rindo de nós que ainda tentamos viver em um mundo e uma comunidade justa, livre de preconceitos. São pessoas como o tal Deputado Bolsonaro (aquele do CQC) que nos fizeram abrir os olhos. POBRE!!! MISERÁVEL!! Esse coitado, por mais dinheiro que um parlamentar possa amealhar por meios lícitos e ilícitos, ainda está abaixo da linha da pobreza. E pode ter seguidores preconceituosos, ignorantes e acéfalos aqui mesmo em Triunfo.
O que me assusta é que a pobreza de espírito é contagiante. A frase que dá título a essa coluna é do inesquecível Caco Antibes, personagem de Miguel Falabella no extinto Sai de Baixo. Caco era racista, elitista, desonesto e desagradável, mas seu bordão tomou conta do país. E o pior de tudo, é que pobres de grana a-ma-vam o que ele dizia, e os pobres de espírito saíram por aí repetindo as barbaridades que ouviram na TV, dando a elas o peso de verdade indiscutível. Em conseqüência disso, o preconceito social disfarçado de senso de humor se alastrou feito uma epidemia. Esse colunista foi vítima desse mal, disparando preconceito por aí, sem se olhar no espelho. Idiota...
Tenho minhas dúvidas de que a pobreza de espírito seja curável. Numa sociedade cada vez mais materialista, valorizamos quem tem, e não quem faz alguma diferença. Preferimos quem parece ser importante em detrimento daqueles que tem algo realmente relevante a nos oferecer. Pensamos em lucro imediato, em enriquecimento instantâneo, em grana fácil, em largar tudo o que nos importuna pra curtir a vida sem responsabilidade. Somos pobres.
Espero honestamente que um dia possamos nos libertar de alguns desses preconceitos arcaicos que temos. Mas até lá, nos resta investir nas novas gerações para que nossos jovens não julguem pessoas e instituições pela aparência. Mas vocês têm assistido à Malhação ultimamente? Pois é, amigos, estamos perdidos mesmo. POBRES!!!

(Originalmente publicado no Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 423, de 16/04/2011)


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