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quinta-feira, 14 de abril de 2011

EU SEI O QUE ELAS QUEREM



Todo homem que se preza, e os gaúchos em particular, tem orgulho dos seus ancestrais Neandertais. Ah, o perfeito ideal masculino: éramos peludos, truculentos, desleixados, silenciosos e dominadores. Deve ter sido uma época de ouro... tudo se resolvia na porrada e o padrão estético vigente era ser o mais forte. Ninguém era importunado por ter aquela barriguinha saliente, e talvez a pança o fizesse ser até mais disputado pela mulherada. Uau! Queria ter uma máquina do tempo...
Com a evolução, os homens tornaram-se mais próximos do estereótipo feminino. Perdemos o direito à barba, ficamos presos a roupas sufocantes e limitadoras, e impedidos de realizar os tão prazerosos atos escatológicos em público. Isso é bom, porém alguns exageraram no aperfeiçoamento. Tudo bem cuidar da pele e querer se manter em forma, mas fazer as unhas e colecionar hidratantes corporais, não sei não... Não pega bem.
De qualquer forma, a evolução das mulheres e de seus padrões comportamentais, políticos, profissionais e emocionais deu um imenso salto qualitativo do final dos anos 60 em diante. Em conseqüência das mulheres inteligentes, independentes e fortes que emergiram dessa revolução de costumes, nós homens tivemos a nossa natureza real exposta. Somos uns bananas. Bebezões inseguros, carentes, ciumentos e irritadiços, domesticados por um olhar reprovador, intimidante ou mais severo de qualquer mulher à nossa volta. Queremos colinho, e vocês, mulheres insensíveis, fazem questão de não perceber. Vocês mudaram, nós também. E agora?
Resposta bem simples pra pergunta que dá título àquela série de TV: sabe o que as mulheres querem, afinal? HOMEM. Com H e todas as outras letras maiúsculas. Pode parecer uma grande exigência, mas não é. Elas querem alguém que as ouça em seus sonhos, projetos e queixas. Alguém que entenda que o mundo se deforma quando elas estão na maldita TPM, e que mate as baratas que aparecem de vez em quando pela casa. Um homem que não ronque tanto à noite e que pode até coçar as partes intimas na hora do futebol na TV, mas não na rua, pelo amor de Deus. Um homem que lave a louça uma vez ou outra, e as cuecas com freqüência. Que grite palavrões por aí, mas que expresse melhor os seus sentimentos e se emocione em uma cena de amor da novela das seis. Homem, entendeu? Neandertal como nossos vitoriosos antepassados, mas com alguns ajustes. Somos bebezões carentes, mas elas gostam. Pode ter certeza.
O que falta aos homens e mulheres de hoje é diálogo. Se elas disserem o que desejam, eles (prometem que) mudam. Falta tolerância pra entender que essas diferenças são fundamentais para a dinâmica de qualquer relacionamento. Nós somos uns animais, e nisso não mudamos: somos sapos, e elas princesas. Eternamente.
Até a próxima!
Em tempo: o autor dessa coluna é um ogro, mas faz uma lasanha sen-sa-cio-nal, não se coça muito, e sabe apertar o botão “on” da máquina de lavar. O e-mail está ali no topo...
Agora, novela das seis é exigir demais, por favor!


 (Originalmente publicado no Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 405, de 11/12/2010)

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