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sexta-feira, 22 de abril de 2011

CADÊ O FUTURO?

Já devo ter falado pra vocês que não confesso minha idade nem sob tortura. É sério, por mim minha data de nascimento deveria ser segredo de estado. Mas aos poucos vou me percebendo menos jovem do que gostaria de ser. Por exemplo: fui criança na década de 80. Sou de uma geração que conquistou conhecimento nas enciclopédias da vida, e que se distraiu e aprendeu(!) com a televisão.
Cresci ouvindo que o Brasil era o país do futuro, e que este futuro seria brilhante. E a arte não deixava por menos: fazia desfilar em nossas mentes e diante dos nossos olhos um tempo promissor. Os Jetsons enchiam minha imaginação com aquela máquina em que bastava apertar um botão e escolher o cardápio do jantar, com Rose - a empregada robô com um instinto maternal excepcional, e com a possibilidade de ir a qualquer lugar por teletransporte. Em “De Volta para o Futuro II”, no ano de 2015 haveriam carros voadores, skates que flutuam, e um museu dedicado ao Michael Jackson e à Madonna! Convenhamos, era um futuro convidativo...
O tempo passava e o ano 2000 estava cada vez mais próximo. Sem que eu percebesse, chegamos a 2005, a 2010... Nada daquilo que a ficção prometeu aconteceu de fato. Infelizmente, não tivemos a capacidade de concretizar as obras daquelas imaginações poderosas. Nem mesmo a Era de Aquário, tão esperada pelos exotéricos trouxe a paz e desenvolvimento prometidos. Ainda nos apinhamos em ônibus lotados e filas de banco, correndo contra o tempo sem saber porquê, melancólicos e insatisfeitos.
Tudo bem: conquistamos os inimagináveis notebooks, ipods e celulares. Mas continuamos a pé e sem saber voar, e um museu do Michael não é exatamente uma má idéia. Ainda não fomos capazes de erradicar a fome, de curar o câncer ou combater de forma efetiva o vírus da gripe, mas creio que chegaremos lá. É só ter um pouco de paciência.
Me recuso a deixar de acreditar no que somos capazes de criar. Se esse futuro divertido e criativo ainda não desabrochou, é só uma questão de tempo. Creio que despertaremos dessa apatia coletiva e nos entregaremos àquilo que temos de melhor. Não devemos perder mais tempo! Temos ao nosso redor possíveis médicos, engenheiros, cientistas, professores e políticos. Nas mãos deles estão todos esses sonhos de um amanhã próspero, pacífico e surpreendente. E pra ser exato, tudo começa na próxima segunda-feira, quando nossas crianças e jovens voltam às aulas. Eu sei que eles reclamam da rotina dura, e que nossos professores têm uma missão e tanto nas mãos, mas sou otimista. Esta geração vai longe, e quando aquele futuro tão sonhado chegar, teremos liberdade pra desfrutar a vida sem sacrifícios, não precisaremos lembrar constantemente dos nossos direitos, pois estes serão respeitados, e não haverá divisões de raça ou religião. No futuro, seremos felizes e livres. Seremos humanos.  
Tenham um excelente ano letivo, e se empenhem em construir um novo mundo! Nossa confiança está depositada em vocês...
Boas aulas!

(Originalmente publicado no Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 416, de 26/02/2011)

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