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terça-feira, 19 de abril de 2011

BIBAS, BARRACOS E BUMBUNS


Ok, falar mal do Big Brother é chover no molhado. E vale a pena lembrar que esta é a coluna do chato que vive em campanha pra que vocês leiam mais. Mas eu confesso: assisto a quase todos os paredões e brigas só pra poder desmoralizar o programa no dia seguinte, e manter intacta a minha reputação de semi-intelectualizado. O fato é que se trata de uma combinação fascinante. Intrigas, festas regadas a muito álcool, sensualidade a flor da pele e aqueles banhos de piscina intermináveis. É só juntar dentro da casa um monte de gente cheia de músculos e sem nada na cabeça e pronto: nitroglicerina pura. Já tem estudiosos por aí defendendo teses de mestrado e doutorado sobre esse fenômeno televisivo. Acho perda de tempo. O BBB não foi feito pra entender, queridos. Basta assistir.
Pra começar, esqueçam aquele papo furado de estratégia ou afinidade. É muito mais do que um jogo. O Big Brother é comércio. Grana preta. Imagine o quanto custa àquela marca de guaraná pra estar na prova do líder ou do anjo, ou ainda com quantas ligações e mensagens de texto se faz um paredão recorde. E a repercussão nos blogs e revistas de fofoca? Sem contar que dali saem com toda a certeza umas quatro ou cinco capas da Playboy, e talvez uma da GMagazine.
Mesmo com toda essa estrutura, esse ano está ruim de agüentar. A coisa não engrenou ainda, sabe? E está difícil entender o porquê. O Boninho caprichou na seleção de traseiros, os polêmicos e infalíveis homossexuais afeminados têm se esforçado para manter o estereótipo de fofoqueiros e invejosos (na contramão da luta intensa travada pelas entidades que dignamente lutam contra a homofobia) e até já rolaram uns barraquinhos básicos e umas conversas debaixo do edredon. O que houve então? Será que ainda faltam bibas e bundas nessa “novela” sem roteiro?
Não se iludam, é tudo muito bem bolado pra criar a torcida certa e fazer o público escolher entre mocinhos e vilões. Estão todos ali: gordinhos, neuróticos, pobres, depressivos, batalhadores. Basta que a audiência escolha o arquétipo com o qual se identifica e passe a torcer por aquele participante. E, mesmo sendo repetitiva, essa é uma fórmula mágica: bebedeiras+brigas+apelação = IBOPE.
E a gente se esbalda, dá risada, espera ansioso pelo próximo episódio, pela próxima polêmica, pelo próximo banho de piscina. É melhor um BBB medíocre que agüentar a chatice trágica dos noticiários. Ficamos todos eletrizados pela filosofia de boteco do Pedro Bial nas noites de terça-feira, testando nossos nervos e a nossa paciência. E não conseguimos deixar de assistir. Não dá pra trocar de canal. Aqueles minutinhos de tensão nos ajudam a esquecer da realidade.
Bem que eu gostaria de falar mal do Big Brother. Adoraria elencar uma penca de motivos pra vocês desligarem a TV, mas esta é uma batalha perdida. Eu também dou minhas espiadinhas.
Eu sei, tenho sido insistente na minha campanha pra que vocês peguem um livro, mas confesso que diante de alguns argumentos a gente fica sem ter o que dizer. Nem teria cabimento eu trocar um close na anatomia privilegiada da Maria ou da Talula por umas páginas do Machado de Assis. Ninguém é de ferro....
Até a próxima!
 
(Originalmente publicado no Jornal Sentinela, de Triunfo/RS - Edição 414, de 12/02/2011)

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